domingo, março 19, 2006

Aqui,
sozinho em casa
de novo.

Esta música,
fronteira.

Sem mim,
textos de alfândega
sozinha.

O sorriso
dócil
do tempo,
as carícias
do presente.

As palavras que ficam
sem mim
e sem significado,
sob um tecto.

O significado delas
já se soube qual é,
e não o é,
e não só por isso.

O antigamente
também já não é
o antigamente.

Nem tédio, nem certezas,
nem o grave cansaço.
Só um leve cansaço sozinho.

O tecto sobrepõe-se
ao presente,
nem dócil nem carrancudo.

Só cansado,
mas quando nos cai em cima,
não passa de um tecto leve.

A antiga vontade
é uma casa,
e as dores antigas
já nem antigas são
quando a vontade já só o é.

Neste condomínio citadino,
alguns tremores de terra
colectam a renda.

Mas o tecto são fendas
ao de leve,
sem cansaço.

Os outros habitantes
são as máscaras
da minha imaginação à janela.

A falta de imaginação
sopra ao de leve
na divisão espelhada da consciência,
onde acontece um sofá.

Tudo isto à parte
não sei,
não sei.

Talvez
o soubera.
Provavelmente.
Não sei.